Perguntas frequentes - Problemas de saúde

É uma situação que ocorre em mais de 30% dos bebés, geralmente após a 2ª semana de vida e até ao final do 3º mês e parece estar associada a cólicas na barriga.
A criança tem períodos de choro, fecha os punhos, esperneia, faz caretas de dor e tem gazes, geralmente durante a tarde ou à noite e costuma melhorar quando lhe pegamos ao colo.
Evidentemente não está associado a outra sintomatologia de doença mas é importante obter o conselho do pediatra para descartar qualquer outro problema.

Para ajudar o bebé aconselham-se várias manobras:
• Coloque o seu bebé ao colo, mas de barriga para baixo, fazendo uma leve pressão no abdómen;
• Faça massagem na barriga do bebé de maneira circular desde o umbigo para fora, em direção dos ponteiros do relógio (eventualmente com ajuda de um óleo ou creme);
• Faça flexão das pernas do bebé sobre a barriga.
• Dê um banho ao bebé, ajudará a relaxar, e a seguir poderá eventualmente massajar o abdómen do bebé
• Podemos estimular também o esfíncter anal com a aplicação ao redor do esfíncter de um pouco de vaselina ou com ajuda de um supositório de glicerina (basta introduzir e retirar em seguida) ou com uma cânula de um microclister cortada na parte posterior e untada de vaselina. Assim facilitará a saída de fezes e gases do bebé.

Por vezes estas cólicas estão associadas a obstipação e por isso deixamos aqui um artigo sobre o assunto: http://www.janela-aberta-familia.org/pt/content/obstipacao-no-bebe 
 
Frequentemente estas cólicas são desesperantes para os pais pois frequentemente o sofrimento do bebé não se consegue diminuir como desejaríamos. No entanto, curiosamente, se os pais tentarem ajudar o seu bebé, mesmo que a eficácia dos seus esforços não seja a desejável, o bebé começa a aperceber-se desta tentativa de ajuda, o que será muito importante para a vinculação e a interação afetiva entre pais e bebés.
A resposta é: "Não!"

Tal como para a maior parte das infecções, as amigdalites podem ser provocadas por vírus ou bactérias. As primeiras NÃO precisam de antibiótico, mas as segundas precisam, pelo que se torna muito importante tentar distinguir as duas situações.
O primeiro aspecto a ter em atenção é a idade da criança. Se tiver menos de 2-3 anos, a probabilidade da amigdalite ser vírica é muito grande, enquanto que se for mais velha é mais provável ser bacteriana.

O segundo ponto tem a ver com o aspecto das amígdalas. Apesar de tradicionalmente se associar a presença de pus às amigdalites bacterianas, isso não é inteiramente verdade, pois pode surgir nos dois tipos. Há, no entanto, um aspecto bastante sugestivo de se tratar de uma infecção por bactérias, que é a presença de pequenos pontinhos vermelho-escuros na parte de trás do céu da boca.
Por fim, a presença de sintomas sugestivos de escarlatina (ver post sobre esse assunto aqui) aponta sempre para uma causa bacteriana e é indicação para iniciar antibiótico.

Como se pode concluir deste texto, a distinção entre amigdalite vírica (que não precisa de tratamento) e bacteriana (que necessita de antibiótico) nem sempre é fácil, pelo que se deve, sempre que possível, efectuar um teste rápido à garganta das crianças com amigdalite. Trata-se de um procedimento muito simples de executar e que consiste na colheita de um pouco de secreções da garganta com uma espécie de cotonete. Posteriormente adicionam-se uns reagentes e, ao fim de cerca de 5 minutos temos o resultado, que é muito fiável. É uma grande ajuda, que se utiliza cada vez mais e pode evitar, nalguns casos, o recurso desnecessário aos antibióticos.

Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2016

A tosse é um sintoma muito frequente em Pediatria. É um mecanismo de defesa do organismo, que serve para “limpar” as vias aéreas, pelo que desempenha um papel importante na resistência do aparelho respiratório às agressões a que está sujeito.

 
Pode ser produzida por infecções, alergias, fumos, corpos estranhos, etc... Na maioria das vezes é causada por infecções víricas (“viroses”), particularmente nos meses de Inverno e nas crianças que frequentam infantários. Nessas situações, geralmente persiste cerca de 2 a 3 semanas, com a seguinte evolução: 1 – tosse seca; 2 – tosse com expectoração; 3 – tosse seca novamente.
 
Se o seu filho apresentar tosse, deve fazer o seguinte:
1) Oferecer-lhe líquidos em abundância, para tornar as secreções mais fluídas (lembre-se que a água é o melhor xarope para a tosse)
2) Manter um ambiente húmido
3) Não adicionar vapores de eucalipto ou outras substâncias inalantes que contenham álcool, cânfora ou outros substratos de plantas, pois estes agravam a tosse
4) Nunca expôr a criança ao fumo de tabaco
5) O tratamento com antibióticos apenas se justifica quando a causa é bacteriana e só deve ser iniciado se receitado pelo médico
6) Evitar os “xaropes para a tosse” – só os deve dar ao seu filho se aconselhados pelo médico
 
Numa situação de tosse, deve apenas procurar ajuda médica se ocorrer algum dos seguintes sinais de alarme:
1) Dificuldade respiratória
2) Dor no peito
3) Tosse com duração superior a 3 semanas
4) Lábios azulados / roxos
5) Vómitos ou dificuldade em alimentar-se
6) Tosse “sufocante”
7) Associação a prostração ou febre elevada
No entanto, não se esqueça que a maior parte das vezes a tosse é benéfica, porque serve para limpar os pulmões!
 
 Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2011
Esta é uma situação extremamente frequente e , na maior parte das vezes, é perfeitamente normal. Faz parte do desenvolvimento ortopédico das crianças andarem com os joelhos "para dentro" a partir dos 18 meses (mais ou menos), já que até lá o que se passa é exactamente o contrário, pois costumam ter as pernas arqueadas (ver post sobre esse assunto aqui).
 
Geralmente é uma situação que resolve até cerca dos 4-5 anos e só se isso não acontecer é que vale a pena observar para tentar perceber se há algo de errado. Há, inclusivamente, algumas crianças que metem tanto os joelhos "para dentro" que ficam com um andar trapalhão e até caem algumas vezes, mas isso não tem nenhum significado.

Também aqui o tempo é nosso amigo e acaba ir resolver a esmagadora maioria dos casos, pelo que não vale a pena estar a pensar em sapatos ortopédicos ou algo do género, salvo algumas excepções...

Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2015
É muito frequente as crianças pequenas andarem com os pés "metidos para dentro" e, na maior parte das vezes, isso deve-se apenas a uma postura incorrecta quando se sentam.

Geralmente as crianças sentam-se com as pernas voltadas para trás, como se formassem um "W" (ver figura ao lado) e isso faz com que as pernas rodem para dentro, o que se reflecte nesse andar característico.

A solução é muito simples e passa apenas por ensiná-las a sentar-se com as pernas cruzadas à frente ("à chinês"), de forma a evitar essa rotação interna das coxas. Não é uma posição de que as crianças pequenas gostem muito, mas depois de insistir um pouco elas acabam por aceitar.
Salvo raras excepções, é uma situação que não precisa de nenhum tratamento especial, sejam palmilhas, fisioterapia ou sapatos ortopédicos e tem tendência a resolver completamente com o tempo.

Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2015

É bastante frequentes as crianças desenvolverem micoses nas unhas, particularmente nos pés.
Geralmente são situações que se manifestam por unhas mais grossas, amareladas e que se "desfazem" e que são muitas vezes difíceis de cortar (parece que crescem menos do que as outras).

Trata-se de uma situação que normalmente não causa nenhum desconforto, mas que do ponto de vista estético acaba por não ser muito agradável.
 

O tratamento passa sempre pela administração de um xarope ou comprimidos (depende da idade da criança) com efeito antifúngico, pois só dessa maneira se consegue garantir a erradicação do fungo. Há uns vernizes que podem ser aplicados, mas isoladamente não garantem uma eficácia significativa, pelo que não são uma boa opção quando usados sozinhos. Há vários esquemas de tratamento, mas de um modo geral todos implicam uma duração considerável, particularmente para as unhas dos pés.
 
Muitas vezes só se consegue observar o resultado ao fim de 2-3 meses, pois começa-se a ver a unha "normal" a crescer e "empurrar" a outra. O aspecto amarelado e mais grosso não desaparece, mas como não se prolonga vai sendo empurrado de forma contínua, até deixar de existir.
 
É uma situação contagiosa, mas que só afecta as unhas, pois o fungo não é o mesmo de outras micoses, como o "pé de atleta", por exemplo.

Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2014

Se a criança tem mais de 5 ou 6 anos, terá de fazer um teste da função pulmonar (espirometria). O seu pediatra fará uma série de perguntas para chegar ao diagnóstico. Nos mais pequenos é diagnosticada pelos sintomas, a eliminação de outras doenças possíveis e a existência de uma boa resposta aos medicamentos utilizados para a asma. Também há que verificar se se trata de uma hipersensibilidade a alergénios inalados.

Manter uma alimentação saudável e equilibrada, sem o consumo de doces e refrigerantes, ajuda a prevenir as cáries. Desde que surgem os primeiros dentes, devemos cuidar deles. Deverão ser escovados juntamente com as gengivas após as refeições e sempre antes de dormir (esta última escovagem é a mais importante).

A cabeça da escova deve ser pequena e de filamentos macios e direitos. Quando os filamentos ficam deformados deve substituir-se a escova por uma nova, para que não magoe as gengivas.Não devemos colocar tampa protetora na escova para que esta consiga secar.

Deverá ser usada sempre pasta de dentes com flúor (1000 a 1500 ppm). Basta colocar uma pequena quantidade na escova, do tamanho de uma ervilha.

Recomenda-se uma supervisão cuidadosa na escovagem das crianças mais pequenas.
Para curar o sangramento das gengivas o meio mais eficaz é a escovagem.
Recomendamos uma revisão oral por ano, especialmente para aqueles que sofrem de doenças crónicas, como doença cardíaca ou diabetes.

As crianças com asma que utilizam inaladores ou tomam xaropes que contêm açúcares devem escovar os dentes após 30 minutos do uso do inalador ou da toma da medicação.

  • É fundamental avisar a escola que o nosso filho tem piolhos para assim evitarmos que outras crianças, incluindo os nossos, voltem a contagiar-se.
  • Devemos examinar a cabeça de todos os familiares lá de casa (eventualmente com uma lupa).
  • Não partilhar pentes, gorros, e outros utensílios para a cabeça (pelo menos com os afetados).
  • Tomar medidas para eliminar os piolhos das pessoas afetadas:
    •  Existem vários champôs ou cremes, uns inseticidas, outros não, mas que são geralmente muito eficazes. Deve-se repetir o tratamento cerca de 10 dias depois porque as lêndeas podem dar origem a novos piolhinhos neste período.
    • Adicionalmente é importante todos os dias, depois da lavagem do cabelo, pentear os cabelos molhados com pente de dentes finos para retirar as lêndeas. Os pentes melhores são de metal, pela sua rigidez.
    • Depois dos tratamentos já referidos é prudente examinar o cabelo uma vez por semana.
    • As lêndeas são muito sensíveis ao calor e por isso as roupas da cama e do corpo devem ser lavadas com água quente (60º) e secas ou passadas a ferro a altas temperaturas. Também os pentes ou adereços de cabelo podem ser lavados com água a ferver ou desinfetados.
       
  • A principal medida preventiva é verificar regularmente as cabeças das crianças. 



 

Quando uma criança perde a consciência, apresenta rigidez ou o corpo flácido e sem forças, um olhar vazio e os lábios arroxeados, com dificuldades em respirar, sacudindo os braços e as pernas, é muito provável que esteja a sofrer uma convulsão.

A convulsão pode durar poucos minutos, depois disso a pessoa vai recuperando gradualmente mas pode continuar confusa e sonolenta.

Quando se trata de crianças saudáveis, com idades entre os 6 meses e os 5 anos, com febre acima de 38 graus, fala-se em convulsão febril. Estas convulsões estão associadas à febre produzida no contexto de algumas infeções ligeiras que são as suas causas mais comuns. Quase todas as convulsões febris cedem em minutos. Poucas crianças necessitam de medicação específica. Uma vez recuperados, podem simplesmente tomar um medicamento para a febre.

As convulsões febris não se previnem facilmente, exceto quando a criança tem febre, em que se pode dar medicamentos para a baixar, com dosagem apropriada para o seu peso e idade.

Além de fazer por manter a calma, há algumas recomendações que podem ajudar a superar esta situação:
  • Colocar a criança deitada de lado, num sítio seguro, e evitar que se autoagrida involuntariamente.
  • Comprovar que pode respirar bem e que não corre perigo de asfixia.
  Se se tratar da primeira vez, recomenda-se que vá ao hospital para confirmar que é uma convulsão febril. Deverá ser feita uma avaliação médica da criança no sentido de chegar à causa da febre, que geralmente é uma infeção ligeira de causa viral. Se a criança já teve ataques anteriores administre medicação retal para reduzir a febre e as convulsões, de acordo com o já recomendado pelo pediatra. Verifique quanto tempo dura a crise convulsiva e dirija-se a um serviço de saúde para fazer uma nova avaliação clínica.

São produtos biológicos utilizados para prevenir doenças infeciosas, provocando reações no nosso organismo que levam ao desenvolvimento de defesas específicas contra as infeções para as quais se está a ser vacinado.

Após a administração da vacina em injeção ou gotas (pela boca), o organismo produz anticorpos. Estes anticorpos protegem-nos quando é necessário enfrentar os agentes causadores da doença, destruindo-os e evitando a doença.

No futuro, sempre que entrarmos em contato com o agente contra o qual fomos vacinados, o nosso organismo “recorda-se” dele e desencadeará a produção de anticorpos protetores.

Para os proteger de doenças que podem causar complicações graves, sequelas ou até ser fatais. Algumas destas doenças são agora muito pouco frequentes, o que se deve à adesão dos pais e de toda a população à vacinação.

O calendário de vacinação atual tem o seu início à nascença (na maternidade), e a maioria das vacinas são administradas nos dois primeiros anos de vida. Ao vacinar o seu filho a tempo, de acordo com a idade recomendada pelo calendário de vacinação, estará a protegê-lo e a impedir que contagie os outros na creche, no jardim-de-infância e na escola. As crianças com menos de cinco anos são muito suscetíveis a contrair doenças pois o seu sistema imunológico, ainda não está suficientemente desenvolvido para lutar, por si só, contra estas infeções.

As vacinas mais utilizadas protegem contra as seguintes doenças: tuberculose, hepatite B, difteria, tétano, tosse convulsa, poliomielite, meningite C, doença invasiva por Haemophilus influenzae b, sarampo, rubéola, papeira, infeções por vírus do papiloma humano, infeção pneumocócica, varicela, diarreia por rotavírus, hepatite A e gripe.

Muitos vírus e bactérias que causam doenças evitáveis pela vacinação, mantém-se no nosso ambiente e por essa razão, é importante que os meninos e as meninas, especialmente os bebés e as crianças mais pequenas, sejam vacinados na idade certa e de acordo com o calendário de vacinação recomendado.

Além disso, é importante lembrar que vivemos numa sociedade em que existe uma grande mobilidade de pessoas, que viajam de e para países onde as doenças evitáveis pela vacinação são frequentes e onde até poderão estar a ocorrer surtos. Por outro lado, é possível que nós próprios e os nossos filhos, também viajemos para esses países.

No caso do seu filho ter falhado alguma vacina fale com o seu enfermeiro ou médico, pois o mais provável é poder e dever fazer essa vacina imediatamente ou logo que possa.

A maioria das vacinas podem ser administradas em qualquer idade e, além disso, se tiver falhado alguma dose não será necessário recomeçar o esquema, pois as doses anteriores são válidas mesmo que já tenha ultrapassado demasiado tempo em relação ao aconselhado.

As vacinas são produtos muito seguros, pois são submetidas a estudos rigorosos antes de serem administradas e continuam a ser vigiadas mesmo após a sua comercialização. No entanto, como todos os medicamentos, podem ter efeitos secundários, que são geralmente ligeiros, como um pouco de dor, inchaço e vermelhidão no local da administração, alguma febre, ou erupção cutânea, dependendo do tipo de vacina.

Excecionalmente, uma vacina pode provocar reações graves em pessoas alérgicas aos seus componentes ou por outras circunstâncias. Por isso, recomenda-se a sua administração por profissionais de saúde e que se permaneça no Centro de Saúde durante 30 minutos após a vacinação.

Deverá sempre pedir informação junto dos profissionais de saúde que o atendem, sobre as possíveis contraindicações das vacinas. As contraindicações para a vacinação são raras. No entanto, tanto as contraindicações como as precauções especiais na utilização das vacinas são apresentadas na ficha técnica das mesmas.

Uma doença ligeira aguda, com ou sem febre (exemplo: infeção das vias respiratórias superiores, diarreia) não é uma contraindicação para vacinação. A principal contraindicação é a eventualidade de ter alergia grave à vacina ou a qualquer um dos seus componentes. Ao contrário do que se julga, as vacinas poderão ser administradas mesmo que o seu filho esteja constipado ou possa estar a incubar alguma doença.

Se pensa que o seu filho está a ter uma reação grave, telefone para o 112 ou dirija-se imediatamente ao seu médico ou a um serviço de urgência.