Perguntas frequentes - Alimentação

A alimentação das crianças é sempre um motivo de grande preocupação por parte dos pais, principalmente quando as crianças passam por fases em que se alimentam pior. No entanto, é fundamental perceber que algumas dessas fases são perfeitamente normais e é mesmo suposto que aconteçam.
O apetite das crianças é uma característica extremamente variável, pelo que deve ser encarado com alguma “serenidade”, de forma a não condicionar muito o seu dia-a-dia. Depende de diferentes factores, dos quais os mais importantes são os seguintes:
  • Idade da criança – No primeiro ano de vida a velocidade de crescimento é muito elevada, pelo que os bebés têm necessidade aumentadas de comer, para poderem suprir as suas necessidades. A partir dos 12 meses essa velocidade vai-se reduzindo, o que faz com que as crianças comam menos, porque na realidade não precisam de tanto.
  • Tipo de comida – Todos nós temos as nossas preferências alimentares e com as crianças passa-se exactamente o mesmo. Apesar de a escolha não ser inteiramente delas, temos que perceber que elas não gostam da mesma forma de todos os alimentos e isso vai condicionar, obviamente, o apetite que apresentam.
  • Estado de saúde/doença – Sempre que uma criança está doente (ou quase sempre), isso reflecte-se no seu apetite. Nessas situações acabam por comer menos e isso é perfeitamente normal, podendo esta queixa durar cerca de 1 semana. Com a resolução da doença, o apetite vai também melhorando gradualmente até se restabelecer por completo.
  • Picos de crescimento – O crescimento das crianças não é completamente linear e gradual, o que faz com que as necessidade do organismo vão também variando. Há alturas em que crescem mais (os chamados picos ou surtos de crescimento) e, consequentemente, acabam por comer também mais e alturas em que não crescem tanto, o que faz com comam pior.
  • Contexto – A maior parte das crianças gosta de rotinas e, quando ocorre uma mudança no seu dia-a-dia (férias, por exemplo), isso vai reflectir-se no seu comportamento, no qual se inclui também o apetite e alimentação. É frequente comerem pior nessas alturas e, se a redução não for muito drástica, acho que é algo que deve ser visto com tranquilidade e com alguma cedência por parte dos pais (mas sem nunca perder o controlo da situação!)
 
De um modo geral, a maior parte dos pais habitua os seus filhos a comer demais. No entanto, apesar de não ser fácil, é importante que aprendam a respeitar os sinais de fome e saciedade das crianças, porque esse é o melhor indicador da quantidade de comida que devem comer.
 
Em jeito de conclusão, gostaria apenas de reforçar a ideia de a forma mais adequada de ver se a criança se está a alimentar como deve é pela sua evolução de peso, pois se estiver bem quer dizer que ela está a comer o que precisa. Isso é mesmo o mais importante…

Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) -http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2016
Depende da criança, mas na maior parte das vezes podem.
A intolerância à lactose é uma situação em que as pessoas não conseguem digerir o açúcar presente no leite (lactose) e, como tal, ficam com dor de barriga, barriga inchada ou diarreia.
A solução nesses casos passa por retirar a lactose da dieta, ou seja, evitar todos os alimentos que a contenham. Pode-se utilizar um leite sem lactose e, para as crianças, ter o cuidado também de só dar papas não lácteas e fazê-las com esse leite específico. Já em relação aos iogurtes e ao queijo, a questão é um pouco diferente. Esses alimentos contêm pouca lactose, uma vez que são fermentados no seu processo de fabrico, pelo que a maior parte das vezes as crianças podem comê-los, sem nenhum tipo de desconforto e costuma ser essa a recomendação.
No entanto, se mesmo assim os sintomas se mantiverem, a solução passa mesmo por experimentar iogurtes também sem lactose, pois pode haver crianças que têm uma intolerância completa, o que não lhes permite sequer consumir os iogurtes normais.
Assim, em jeito de conclusão, a resposta é afirmativa (podem comer iogurtes normais), mas se não os tolerarem devem-se testar os iogurtes sem lactose, para ver se têm mais efeito.
Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2015
Hoje em dia existem recomendações das principais sociedades científicas sobre a introdução do leite de vaca ("de pacote") na alimentação das crianças, pelo que a resposta a esta questão acaba por ser mais ou menos clara.
Introduzir esse tipo de leite antes dos 12 meses de idade é neste momento considerado errado, pelo que é algo completamente desaconselhado.
A partir daí é permitido, embora o ideal seja manter o leite materno ou então um leite adaptado ("em pó") até aos 3 anos, uma vez que é um período em que ocorre um grande crescimento e desenvolvimento das crianças. As principais vantagens deste tipo de leite relativamente ao leite de vaca são as seguintes:
- tem menos proteínas
- as proteínas que tem são mais adequadas ao crescimento das crianças
- é suplementado em ferro
Apesar de não ser o ideal, se mesmo assim a opção for a de introduzir o leite de vaca, deve-se preferir um leite gordo até cerca dos 2 anos e depois passar para um leite meio gordo.

Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2015

O queijo é um bom alimento, desde que não seja demasiado gordo e que seja consumido com moderação.

No entanto, pode conter bastante sal e esse é um dos principais aspectos a ter em atenção. Como o sal só deve ser introduzido depois dos 12 meses (e o mais tarde possível - pode ler um post sobre esse assunto aqui), antes dessa idade não se deve dar por rotina. Mesmo depois deve-se sempre escolher um queijo pouco salgado, para não "deseducar" o paladar da criança, numa fase em que ainda está a aprender os diferentes sabores. Para além disso, convém reforçar também a ideia de que as quantidades devem ser adequadas, para não se cometerem exageros, que são bastante frequentes...

Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) -http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2016
O glúten é um componente de alguns cereais (aveia, trigo, centeio e cevada) que, por ter uma composição bastante complexa, pode causar intolerância a nível intestinal. Essa situação chama-se doença celíaca e obriga a cuidados alimentares redobrados, pelo que é importante perceber se há alguma forma de a prevenir.

Actualmente acredita-se que essa prevenção tem como base a introdução do glúten nos tempos certos na alimentação dos bebés e isso é um aspecto fundamental a cumprir. Assim, as recomendações actuais são para introduzir o glúten entre os 4 e os 7 meses e é isso que se deve fazer. Introduzir precocemente parece aumentar o risco de doença celíaca, bem como introduzir tardiamente.
As opções para fazê-lo são diversas, podendo ser através da papa, massa ou flocos de aveia, entre outros.

Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) -http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2016
Por razões de saúde (é verdade que sobretudo o excesso de carne vermelha é prejudicial), ambientais (é verdade que a produção de carne sobretudo de vaca tem uma enorme impacto ambiental), ou éticas (é verdade que os animais que servem para a produção da carne que nós consumimos são maltratados e sofrem), são cada vez mais as pessoas que preferem adoptar uma dieta vegetariana e, por conseguinte, levam a que os seus filhos a adoptem.
Estas dietas podem ser mais saudáveis mas, se forem demasiado rígidas, afastando por completo qualquer carne ou peixe, podem provocar problemas de saúde sobretudo em crianças, devido a duas carências alimentares frequentes neste tipo de dietas sem supervisão: carência em proteínas e em vitamina B12. Devida a estes riscos, recomendamos que tais dietas sejam acompanhadas por um nutricionista, pois embora sejam possíveis, necessitam de bom conhecimento técnico.
Mais fácil será fazer um regime ovolactovegetariano, ou seja, uma alimentação ´vegetariana que admite substituir a carne e o peixe por outros produtos de origem animal como os ovos e o leite (ou derivados do leite como o iogurte, queijo e requeijão).
Se associarmos estes produtos de origem animal a refeições com leguminosas (feijão, grão, soja, favas, lentilhas, ervilhas, quinoa) e cereais (pão, arroz, massa, farinha, batata, inhame, etc.), certamente já não haverá carência de proteínas.
No entanto, pode ainda assim haver alguma carência de vitamina B12, pelo que se recomenda uma suplementação desta vitamina, pelo menos a crianças.

Para saber mais sugerimos a leitura do manual do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde (PNPAS_DGS), Alimentação Vegetariana em Idade Escolar, o qual poderá ser encontrado neste link.

O bebé deve ser amamentado em exclusivo até aos 6 meses, porque:

  • O leite da mãe é o mais adequado para a alimentação do seu filho. Na mesma mamada e no decorrer do tempo, a sua composição altera-se de acordo com as necessidades do bebé, protegendo-o de doenças várias (diarreia, otites, pneumonias, asma alergias, obesidade, etc.) e favorece o desenvolvimento intelectual.
  • A recuperação da mãe após o parto também é mais rápida (há menor risco de hemorragias pós-parto) e diminui o risco de cancro da mama, dos ovários e de osteoporose.

 

Após os 6 meses é necessária a introdução de outros alimentos, tais como as sopas, a fruta e as papas de forma gradual. No entanto, recomenda-se sempre que possível manter a amamentação até aos 2 anos de idade.

  • Nos primeiros 2 dias após o parto, o leite materno chama-se colostro e é muito rico, pelo que cobre as necessidades do bebé. Depois ocorre o aumento súbito da produção de leite, denominada «subida do leite». Gradualmente estabelece-se o equilíbrio entre a produção e o que o bebé precisa.
  • O principal estímulo para a produção do leite é a sucção, por isso quanto mais vezes o bebé mamar e esvaziar a mama mais leite se produz;
  • No início da amamentação é importante que não sejam oferecidas chupetas e tetinas uma vez que interferem com a eficácia da sucção;
  • O seu filho está certamente a receber todo o leite que necessita se larga espontaneamente a mama, se aumenta de peso, se tem mais de 6 micções nas 24 horas, e se a mama inicialmente cheia, fica mole no fim da mamada;
  • O seu leite tem água suficiente para as necessidades do bebé. Se ele tiver sede vai pedir para mamar. Se amamenta, não lhe dê água até à introdução de outros alimentos.
  • Se necessitar ficar longe do seu bebé, pode extrair o leite com uma bomba e quem cuidar dele pode alimentá-lo. O leite materno pode ser extraído e conservado refrigerado até 48 horas ou congelado durante 2 semanas e até 3-6 meses, dependendo do tipo de congelador.
  • Escolha um ambiente tranquilo e uma posição confortável, deitada ou sentada com as costas apoiadas;
  • Amamente o seu bebé quando ele mostrar os sinais precoces de fome: ainda a dormir começa a mexer-se no berço, começa a salivar parecendo que está a mastigar e leva as mãos à boca. O choro é já um sinal tardio e por vezes é preciso acalmar primeiro o bebé antes que ele consiga mamar.
  • Leve o bebé à mama e não o inverso.
  • Coloque o bebé de frente para a mama (barriga com barriga), mantendo a cabeça do bebé alinhada com o resto do corpo; com o nariz ao nível do mamilo, estimule a abertura da boca.
  • Quando o bebé pega bem, ficará com a boca bem aberta, queixo junto à mama, lábio inferior virado para fora e a aréola será mais visível acima do lábio superior do que do inferior.
  • Se sentir dor ao dar de mamar procure apoio, pois com a observação pode ser detetada a razão do desconforto, o qual se prende habitualmente com a posição da mãe e do bebé e /ou com a pega.
  • Dê de mamar quando o bebé solicitar. Nos primeiros dias os bebés mamam cerca de 10-12 vezes ao dia.
  • Dar de mamar durante a noite favorece a produção de leite.
  • A composição do leite materno é diferente do início ao fim da mamada, pelo que só deve oferecer a segunda mama, após esvaziar bem a primeira. Na mamada seguinte comece pela mama que deu em último lugar.
  • Para retirar o bebé da mama, introduza o seu dedo mindinho no canto da boca do bebé para parar a sucção e empurre para trás o seu mamilo, evitando assim o estiramento e a dor.
  • Se o bebé estiver bem adaptado à mama nem sempre necessita de arrotar.
  • Lave as mamas uma vez ao dia durante a sua higiene habitual;
  • Mantenha os mamilos secos; o uso de protetores impermeáveis pode ser prejudicial.

Amamentar é natural mas requer aprendizagem. Por vezes surgem obstáculos que são ultrapassáveis com o apoio de profissionais com formação específica (p. ex., nos Cantinhos da Amamentação).

Nos raros casos em que a amamentação não é possível ou é insuficiente, o médico deve aconselhar o leite artificial adequado e os cuidados na sua preparação.

Durante os primeiros dias após o nascimento, ficará internada no serviço de obstetrícia, onde lhe darão alguns ensinamentos essenciais para o regresso a casa.

Aquando da alta deverá marcar consulta com o médico assistente na 6ª semana após o parto, onde se decidirá o método contracetivo mais apropriado. Alguns cuidados importantes:

 

  • Mantenha o seu duche diário;
  • Faça a lavagem exterior do períneo ao mudar o penso e após evacuar e enquanto tiver perdas de sangue;
  • Não use tampões nem faça irrigações vaginais;
  • Na higiene das mamas basta a lavagem diária no duche; evite aplicação de pomadas; massaje os mamilos com o próprio leite após as mamadas;
  • Mantenha o suplemento de ferro;
  • Pode iniciar a pílula própria para mamãs que amamentam à 4ª semana após o parto;
  • A atividade sexual pode ser retomada aproximadamente à 5ª semana após o parto, de preferência após a Consulta de Revisão do Puerpério e aconselhamento sobre o melhor método contracetivo.

 

Deverá dirigir-se ao Serviço de Urgência se ocorrer:

• Febre.

• Aumento marcado das perdas de sangue.

• Dor mamária intensa ou mamas com sinais inflamatórios.

• Dor abdominal intensa de início súbito.

• Agravamento progressivo de dores a nível do períneo.

 

Nas primeiras semanas depois do nascimento do bebé, será normal que as mães se sintam um pouco cansadas.

Poderá também sentir-se confusa, com sensação de não conseguir cuidar do bebé, abatida e com uma sensação de tristeza, exatamente no momento em que todos os restantes familiares se sentem eufóricos. Não deve sentir-se culpada, pois estes sentimentos podem ser causados pelas alterações hormonais ocorridas após o parto. Fale sobre o que está a sentir com o seu médico ou enfermeira.

Alguns conselhos para a mamã:

  • Solicite ajuda para as tarefas domésticas de forma a poder dedicar-se mais ao seu bebé.
  • Descanse o mais que puder, fazendo coincidir os seus sonos com os sonos do bebé.
  • Tenha uma alimentação variada.
  • Procure pôr-se bonita, arranje-se; isso ajudá-la-á a ficar mais bem-disposta.
  • Tente sair com regularidade para dar um passeio a pé. O ar fresco e o exercício fazem maravilhas e a maioria dos bebés também aprecia estes passeios. Deve evitar atividades com impacto (saltar, correr) nos primeiros 2 meses. No nosso website tem informações sobre alguns exercícios que pode e deve fazer.
  • Faça uma alimentação variada, com poucas gorduras, mas muita fruta e verduras.
  • Beba 2 a 3 copos de leite meio gordo ou gordo por dia (neste período é preferível ao leite magro) ou equivalentes (iogurte ou queijo).
  • Beba à volta de 2 litros de água por dia.
  • Não beba bebidas alcoólicas.
  • Evite café, chá e outras bebidas estimulantes em excesso.
  • Os medicamentos mais frequentemente receitados às mães lactantes são compatíveis com a lactação, no entanto se necessitar de fazer medicação consulte o seu médico.