Perguntas frequentes - Crianças

Não existem respostas ou “receitas certas” para esta questão mas existem algumas orientações que podemos considerar.
Em primeiro lugar sabemos que os pais são sempre os primeiros modelos dos filhos. As crianças aprendem mais com o que vêm os pais fazer, do que com os conselhos que eles lhes dão: por isso, os pais têm de ter cuidado com o modelo de comportamento que têm e que expõem aos seus filhos. Ser coerente entre o que se diz e o que se faz perante as crianças dá-lhes segurança.
Em segundo lugar, na interação com os filhos os pais devem ter atenção a quatro aspetos centrais:
  • as regras/limites,
  • o elogio/reforço,
  • a disponibilidade,
  • a negociação.
1º Regras:
Os pais devem assegurar que as regras sejam claras e consistentes. As regras são para cumprir, sendo fundamental saber dizer "Não" quando se transgridem as regras previamente estabelecidas. Ter atenção que depois das regras estarem estabelecidas não faz sentido mudá-las de acordo com interesses momentâneos dos pais, mesmo quando estão prestes a sucumbir ao cansaço. As regras deverão mudar à medida que os filhos crescem e sobretudo, à medida que os filhos vão provando maior responsabilidade e capacidade para serem autossuficientes. Estas mudanças progressivas deverão ser feitas com diálogo e negociação, tal como se explicará no item “negociação”.

2º Elogios:
Os pais deverão elogiar e encorajar sistematicamente os aspetos positivos, os sucessos dos filhos, mas sobretudo deverão valorizar o seu esforço mesmo quando os resultados não forem positivos.
Todas as crianças têm virtudes que devem ser encorajadas. No entanto, também todas as crianças têm limitações que terão de ser toleradas e não criticadas, caso contrário, o futuro adulto padecerá de baixa auto-estima e assertividade.
Há que aceitar as limitações dos filhos, independentemente das expectativas. Ao fazê-lo, estaremos a amá-los e a dar-lhes o melhor de nós, permitindo que eles possam vir a ser o melhor que realmente poderão ser. A crítica é útil mas perde a sua utilidade se for a única forma de comunicação para com os filhos.

3º Disponibilidade:
A disponibilidade e o tempo de qualidade passado com os filhos determinam os vínculos, a confiança e o à vontade estabelecido entre uns e outros, facilitando a comunicação nos momentos de conflito e de tensão. É importante falar de tudo quanto os filhos queiram e mostrar-se disponível para o resto. A perceção que muitos filhos têm relativamente aos seus pais, quando estes se esquecem deles ou não se interessam pelas suas dúvidas, insucessos ou sucessos, tem repercussões graves na formação da personalidade da criança.
Muitas vezes os pais referem grande tristeza por não conseguirem ter mais tempo para os seus filhos: é verdade que a trepidação da vida moderna torna muito mais difícil ter tempo para os filhos. No entanto, felizmente a qualidade dos afetos é mais importante que a quantidade de tempo dedicado. O importante é estar mesmo disponível algum tempo para brincar ou falar com os seus filhos, mesmo que seja pouco tempo.
Uma recomendação possível, para ter alguma disponibilidade de qualidade quando chega a casa, poderá ser: tente planear o que tem de ser preparado em casa para o próximo dia ainda antes de chegar a casa (nem que seja ainda dentro do carro), de forma a estar imediatamente disponível os primeiros 15 min para a brincadeira quando entra; depois pode dizer-lhes que tem outra coisa para fazer mas volte a falar com eles à hora da refeição; continue a brincar ou interagir mais 15 min depois da refeição; reserve ainda mais 15 min para contar uma história antes da soneca.

4º Negociação:
Já referimos que as regras devem mudar de acordo com a idade dos filhos e sua maturação psicológica. Devem também ser explicadas aos filhos para eles perceberem a sua justificação e para aprenderem com os pais o conceito de justiça, respeito pelo próximo, diálogo e negociação.
No entanto, as explicações e eventuais negociações têm muito a ver com a idade.
Durante o primeiro ano de vida (mais ou menos até aos 10 meses) as crianças não entendem as explicações e não vale a pena sequer dizermos “não” a uma criança.
No segundo ano de vida (mais ou menos entre os 12 e os 24 meses), com os devidos limites e a tolerância que sempre temos que ter com uma criança pequena, já vale a pena ralharmos quando ela faz algo que não deve, mas é ainda impossível ela compreender as nossas explicações.
Só depois dos 24 meses a criança poderá começar a compreender por que não deve fazer certas coisas, se as nossas explicações forem simples e adequadas à sua idade.
Claro que a negociação, com a imposição das regras através do diálogo e explicação das mesmas, irá tornar-se cada vez mais importante durante o crescimento da criança e será fundamental sobretudo na adolescência.
Neste processo de negociação, também os pais terão de aprender a aceitar os pedidos dos filhos.
À medida que os filhos provam ser capaz de aceitar regras, menos estas regras devem ser impostas: quando eles cumprem e se portam de acordo com os limites negociados e definidos pelos pais, então os pais devem recompensar os filhos com mais confiança e mais autonomia. Quando os filhos não cumprem as regras, devem ser corrigidos com menor autonomia, deixando sempre a possibilidade de no futuro voltar a recompensá-los.
Um exemplo de como esta “negociação” se poderá estabelecer, quando os adolescentes já são mais velhos, poderá ser o que se passa quando o nosso filho nos pede para ir a um bar ou a uma discoteca. Após conversarmos com ele, impomos que regresse à meia-noite a casa. Caso ele cumpra, é legítimo elogiá-lo e dar-lhe mais autonomia, nomeadamente a possibilidade de noutro dia poder regressar a casa um pouco mais tarde. No entanto, caso não cumpra, temos o direito e até o dever de o corrigir, não o deixando sair no dia seguinte.
Aos poucos pretende-se que os limites e regras deixem de ser impostos pelos pais e passem a ser os próprios filhos a fazer as suas próprias escolhas com total autossuficiência.
Desta forma iremos progressivamente promovendo-lhes a autonomia, dando-lhes oportunidades para aprender a decidir como um adulto. Estaremos assim não só a fomentar a sua própria auto-confiança como a confiança que nós, pais, temos neles.
Mais cedo ou mais tarde, o mundo será deles, não nosso, e convêm que eles não precisem de nós para tomarem decisões!

A autoestima é um sentimento de aceitação e apreciação de si mesmo que está intimamente ligada à sensação de valor pessoal.
As bases da autoestima são estabelecidas na infância, mas desenvolvem-se ao longo da vida.
Está intimamente relacionada com a imagem corporal, isto é, como nos vemos e sentimos com o nosso corpo, mas também está relacionada com a assimilação e internalização das opiniões que os outros têm sobre nós.
Uma boa autoestima permite-nos:

  • Sentir-nos mais satisfeitos com a nossa vida.
  •  Permite-nos lidar de forma mais positiva com os fracassos e os problemas (permite-nos reconhecer melhor as nossas próprias limitações).
  • Permite-nos comunicar melhor e fazer amigos, .
  • Permite-nos expressar melhor o que queremos e ser mais capazes de dizer não a convites incómodos.

A autoestima dos filhos promove-se:

  • Desenvolvendo as suas capacidades (por isso é util promover a atividade física, atividade musical, e todas as atividades lúdicas sempre em contexto de brincadeira com as outras crianças, sem caráter de obrigatoriedade severa e rígida).
  • Desenvolvendo a sua autonomia, promovendo que a criança comece a imitar os afazeres dos adultos nas suas brincadeiras e depois, progressivamente, que a criança comece tratando dos seus próprios afazeres ou os da casa (ajudando os pais com limites razoáveis). Promover sempre a autonomia impondo limites de segurança.
  • Elogiando as suas capacidades e o seu esforço, aproveitando todos os momentos para aplaudir o que eles fazem de bom.
  • Respeitando os limites dos filhos: todas as crianças têm limitações e não têm culpa de terem nascido com elas. As limitações dos filhos têm de ser respeitadas e quando muito devem as crianças ser encorajadas a terem atividades que as diminuam. Os adultos não devem culpar os filhos de não serem como eles querem. Os pais (ou os professores) que criticam frequentemente os seus filhos (ou alunos) e não têm uma palavra de encorajamento relativamente ao que eles têm de bom, cometem um grave erro! Repete-se: há que elogiar sempre que possível, sobretudo o esforço e desde que haja coerência, evitando o elogio gratuito e deste modo, a sua banalização!

.

 

O sono existe para que o cérebro possa descansar, sonhar, fornecendo às crianças, energia para aprender, brincar e serem felizes. Se elas não dormem bem, o seu comportamento é essencialmente inquieto, têm dificuldade para aprender e podem até ficar irritadas, porque o cérebro está cansado. Enquanto as crianças dormem, o seu cérebro trabalha muito, desempenha funções importantes que enquanto acordadas, não estão activas. O cérebro enquanto dorme interfere no crescimento, fortalece o corpo e permite-lhe que seja mais saudável. Quando se diz que “dormir faz crescer”, não passa de uma afirmação popular, é mesmo verdade que enquanto se dorme são segregadas hormonas, como a do crescimento.
Um bom sono é vital para a saúde da criança, pois participa na defesa contra agentes patogénicos, tendo um grande impacto no fortalecimento do sistema imunitário. O cérebro enquanto dorme descansa para que durante o dia esteja preparado para solucionar problemas, memorizar, brincar e aprender. Além disso, o sono permite que a criança esteja mais tranquila, menos irritada e que conviva melhor com os outros.
A par das novas exigências da sociedade, existem cada vez mais crianças com hábitos de sono inadequados, dos quais se podem mencionar a dificuldade em adormecer e/ou os despertares nocturnos frequentes que conduzem à exaustão dos pais e até a um ambiente de tensão e irritabilidade no seio da família.
Sabemos hoje que os problemas de sono na infância dependem muito do comportamento de cada um de nós, por isso, considera-se a higiene do sono (bons hábitos) como determinante para solucionar muitos dos problemas de sono que não têm causa fisiológica.
Tendo em conta o quanto é importante para as crianças dormirem bem, não deixe para amanhã aquilo que pode começar a cuidar hoje, pois ao contrário do que se costuma dizer, nem tudo melhora com o tempo e se é possível ajudar o seu filho a dormir melhor a partir de hoje, deve procurar ajuda.
Psicóloga Teresa Sousa, Especialista em Ritmos de Sono
Está comprovado que existe uma associação benéfica entre a aprendizagem da música e a aprendizagem da matemática, das línguas e do desenvolvimento doutras capacidades intelectuais e até emocionais!
É por isto que os pais devem fazer o possível para que os seus filhos aprendam música, mesmo que eles não tenham habilidade para a mesma. Não se pretende que os filhos sejam bons músicos: pretende-se apenas que eles desenvolvam habilidades que ultrapassam em muito a própria música!

Poderá ler aqui um nosso artigo mais extenso sobre o assunto que lhe dará informações sobre como iniciar esta aprendizagem.
Uma das melhores coisas que podemos tentar dar aos nossos filhos é a saúde, tanto física como mental. E talvez o mais importante meio para o fazer, seja promover o desporto e a prática de atividade física regular!

Isto porque todas as crianças gostam de pular, correr e saltar, e deve-se aproveitar esta energia natural para que ela se divirta! É importante criarmos filhos felizes!

Por outro lado, o desporto dá autoestima, ensina a socializar, incute regras e disciplina e, finalmente, ao contrário do que se poderia pensar, o desporto melhora também o desempenho intelectual e escolar!

Relativamente à saúde física é conhecido o impacto que a atividade física tem na diminuição das doenças cardíacas e cerebrovasculares e na diminuição da osteoporose nos adultos, quando se inicia o desporto ainda em criança. No caso específico da osteoporose, sentida sobretudo na velhice, é sabido que é na infância e adolescência que o desporto pode ter um grande benefício!

Para além destes benefícios, podemos ainda referir a prevenção da obesidade e diabetes, a redução da ansiedade e depressão, a melhoria da qualidade do sono, e evidentemente o aumento da agilidade, força, reflexos e correção de eventuais defeitos físicos.

Apesar de tudo, temos de estar conscientes da necessidade de ter precauções com as crianças (limites máximos de carga permitidos, correção de más posturas, etc.), e por isso é importante que o desporto seja praticado com a supervisão de professores especializados.

No caso das crianças mais novas, elas devem sobretudo divertir-se enquanto praticam o desporto. Considera-se que a competitividade e a especialização desportiva é prejudicial antes dos 6 anos. Nestes primeiros anos a criança deverá sobretudo brincar e jogar com gosto!

Quando ainda no primeiro ano de vida, muitas brincadeiras podem ser feitas pelos pais e educadores, para incentivar a atividade física.

Fora de casa, o melhor “desporto” para os muito pequeninos parece ser a natação ou, melhor dizendo, as atividades em meio aquático, devidamente orientadas por um técnico habilitado. Estas atividades são indicadas até para bebés de poucos meses!

Passado pouco tempo, pelos 3 anos, a dança e a ginástica com as suas corridas, saltos e exercícios de equilíbrio são também muito adequados, desde que ainda e sempre de uma forma lúdica e adaptada às características da idade.

Após os 5 anos e até aos 11 anos, é aconselhável que a criança pratique vários desportos, eventualmente um individual e outro em grupo.

Entre as várias opções disponíveis, deverá escolher aquela que a criança mais gosta e que poderá realizar-se mais perto de casa, para lhe permitir ter ainda tempo para estudar ou brincar.

Para os muito irrequietos, desportos individuais como o atletismo ou a natação podem ser uma boa escolha (no entanto, embora o atletismo seja um desporto muito completo, recomenda-se em geral a sua iniciação após os 7 anos de idade).

Para os muito perfecionistas recomenda-se atividades individuais onde a perfeição individual dos movimentos é importante, como a ginástica, ténis ou artes marciais.

Os desportos de equipa, como o futebol e basquete, são também altamente recomendados, pois ajudam a desenvolver as regras, a saber respeitar os adversários e a trabalhar em equipa.

Não são recomendados os desportos que envolvam algum risco para a criança, como é o caso do boxe, o esqui aquático, o alpinismo, exceto se forem praticados com uma grande supervisão.

Em resumo, geralmente os especialistas recomendam:
- Em geral, em qualquer desporto, as crianças com menos de 7 anos, devem ter espírito de participação e divertir-se.
- Evitar a competição até aos 12 anos, pelo menos.
- Especializar-se num desporto muito cedo não é bom.
- Se pratica um desporto individual, é aconselhável que pratique também um desporto de equipa para completar, pois enriquece ainda mais a criança.
- Evitar tanto a inatividade física como a carga de trabalho excessiva.
- Deve providenciar um acompanhamento médico ao seu filho, especialmente se este compete.
- Considerar sempre as inclinações e gostos da criança.

O Transtorno do Défice de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDAH) é o distúrbio de desenvolvimento neurológico mais comum na infância. O TDAH deve-se à interação de fatores genéticos com fatores ambientais. Este transtorno na infância e na adolescência é caracterizado por falta de atenção, excesso de atividade em relação à idade, e baixo controlo da impulsividade.

Para se falar deste transtorno numa criança, é preciso que os sintomas surjam antes dos 7 anos e persistam pelo menos 6 meses, aparecendo em dois ou mais contextos. O TDAH interfere com a vida social e académica da criança. Nalguns casos predominam ou há apenas sintomas de desatenção, sendo os mais difíceis de diagnosticar, e noutros, prevalecem os sintomas de hiperatividade e impulsividade.

O objetivo do tratamento é reduzir a frequência e a intensidade dos sintomas. Não existe nenhum tratamento que cure efetivamente a doença. A escola, o pediatra, e a família devem trabalhar em conjunto para ajudar a criança a atingir o seu máximo potencial e a reduzir o impacto da doença em todas as áreas: em casa, na escola, locais de lazer, etc. Deve também ter controlos clínicos regulares para verificar a eficácia do tratamento, e caso contrário, procurar tratamentos alternativos.

A qualidade de vida depende da intensidade dos sintomas de TDAH e de outros transtornos que podem estar associados como o distúrbio de oposição desafiante, ansiedade ou depressão, o risco de acidentes e distúrbios de aprendizagem.

As dificuldades de aprendizagem e o desempenho escolar podem ser comprometidos progressivamente consoante aumentam as exigências académicas.

As funções básicas mais afetadas em crianças com Transtorno de Défice de Atenção com ou sem hiperatividade são:

  • a memória de trabalho não verbal, que permite reter informações
  • a capacidade de pensar antes de agir
  • a autorregulação das emoções, ou seja, a contenção de reações afetivas
  • a adaptação de um comportamento para um determinado fim.

Por todas estas dificuldades, as crianças com TDAH têm uma sensação de fracasso e revelam uma rejeição emocional pelas tarefas escolares. Melhorar o rendimento académico é um dos objetivos mais valorizados por estas crianças, melhorando a sua autoestima.

 

 

O ser agitado pode ser algo da personalidade da criança, mas também da própria fase do desenvolvimento, que pode ser mais agitada.
Isto é normal e seria estranho se a criança estivesse parada e quieta.
No entanto, existem causas que provocam maior agitação, muitas vezes relacionadas com questões pedagógicas ou com o tratamento afetivo e educacional da criança.
Por exemplo, certifique-se que existe calma e união no ambiente familiar (pai e mãe devem estar de acordo: se um condena e o outro permite, não é bom pois confunde a criança e promove maior “agitação”).
Coloque limites razoáveis ao comportamento do seu filho, pois as regras servem de contenção e diminuem a agitação. Por exemplo, se a criança está sempre a chamar a atenção sobre si, falando alto e interrompendo os adultos para se fazer atendida, necessita de alguma contenção.
Evidentemente esta contenção ou imposição de regras tem de ser adaptada à idade e personalidade da criança. Se a contenção for exagerada, pode tornar-se tão contraproducente como a sua ausência.
Na imposição de regras tem-se que por vezes advertir a criança, mas aqui deve-se evitar os castigos físicos e as humilhações, injustiças e comparações que firam profundamente a criança e originem reações “agitadas”.
Também a carência de relações afetivas, situação em que os pais não corrigem os filhos mas também não revelam interesse pelos seus problemas, constrói um vazio na criança que ela tende a preencher através de permanentes chamadas de atenção, numa permanente turbulência não só em casa, como também, frequentemente, na escola.
Outra situação que poderá causar agitação é a sobreposição de estímulos e tarefas para a criança, muitas vezes numa tentativa bem-intencionada dos pais em promover o melhor desenvolvimento possível dos filhos. É muito importante estimular os nossos filhos, mas devemos respeitar as suas naturais limitações, não os obrigando a uma corrida angustiante em direção ao perfecionismo. Aqui devemos, nós, pais, fazer a nossa própria contenção e aceitarmos as limitações dos nossos filhos assim como aceitamos as nossas...
Finalmente, será bom incluir atividades desportivas para extravasar a energia acumulada.
Para os muito irrequietos, desportos individuais como o atletismo ou a natação podem ser uma boa escolha (mas enquanto a natação pode ser iniciada logo em bebé, o atletismo recomenda-se em geral só após os 7 anos de idade).
Entre as várias opções desportivas disponíveis, o mais importante será escolher a que a criança mais gosta e que poderá realizar-se mais perto de casa, para lhe permitir ter ainda tempo para estudar ou brincar. O mais importante é a diversão, nunca a competição, sobretudo quando são pequenos.
Nos tempos livres poderão também ser recomendadas tarefas tranquilizadoras como colecção de selos, jogos de paciência, palavras cruzadas, músicas harmoniosas e calmas, etc.
Tenha atenção às horas de sono do seu filho: devem seguir horários regulares, inclusive aos fins-de-semana. Pais e mães também devem dar o exemplo, favorecendo um ambiente descontraído no final da tarde. A televisão deve ter o som relativamente baixo, pois caso contrário obriga a que todos falem mais alto e no fim, acaba por elevar todo o nível de agitação da casa!
Não esquecer que todas as atividades baseadas em monitores eletrónicos, como ver filmes na televisão ou videojogos, são excitantes e por isso devem ser evitadas até uma hora antes do dormir. Os próprios conteúdos dos filmes de aventuras podem ser demasiado agitados para a criança ver antes de adormecer.
Se tiver que ser, redobre nas doses de amor e paciência!
Deixamos aqui alguns links onde poderá ler mais sobre a temática:
http://www.janela-aberta-familia.org/pt/content/desporto-para-criancas
http://www.janela-aberta-familia.org/pt/content/o-seu-filho-quer-sua-atencao
O bruxismo é o hábito de ranger os dentes e constitui um dos mais difíceis desafios para a odontologia restauradora, sendo que a dificuldade para sua resolução aumenta de acordo com a gravidade do desgaste dentário produzido. Daí a sua importância em haver uma intervenção precoce.
Esta é uma patologia de tipo multifatorial, que abrange adultos e crianças, com características clínicas e etiologia bastante variável. As causas poderão estar relacionadas a fatores psicológicos, como tensão emocional, agressão reprimida, ansiedade, raiva, medo, frustrações e stress.
Estará o seu filho a debater-se com alguma mudança, poderá estar relacionado com a mudança de escola, alguma situação familiar ou uma eventual cobrança excessiva para se sair bem em alguma tarefa?!
Um especialista dentista poderá esclarecer ainda que o bruxismo pode causar, além de desgaste dos dentes, problemas na gengiva, na articulação da mandíbula, dores de cabeça e até dor de ouvido e dores na nuca. Fatores sistêmicos como rinite, alergias respiratórias e dormir de boca aberta podem contribuir e causar o bruxismo nas crianças.
A recomendação é que os pais consultem um dentista odontopediatra para acompanhar o crescimento e erupção dos dentes da criança. Dessa forma, é possível fazer um diagnóstico precoce e correto, diminuindo ou até evitando problemas futuros.
O tratamento do bruxismo é simples, dependendo da causa diagnosticada. Geralmente, são feitas restaurações nos dentes, uso de aparelhos dentários relaxantes, indicação de técnicas relaxantes e remoção dos fatores desencadeadores de stress, relacionados muitas vezes com altos níveis de exigência
A prática de desporto ou de qualquer hobbie ou atividade de lazer também são uma boa forma de tratamento. Dependendo do caso, um acompanhamento psicológico poderá ser necessário. Todo o tratamento deve ser feito sob a orientação e acompanhamento de um profissional da saúde especializado.
Depende da maturidade da criança.
Antes dos 6 anos parece-me muito precoce, mas a partir dessa idade pode fazer algum sentido. Com as crianças mais pequenas, a mesada/semanada não tem o propósito de lhes dar nenhum tipo de autonomia financeira, mas sim de os responsabilizar pelo gasto e poupança de dinheiro e para eles perceberem que a vida tem custos. Teria que ser um valor simbólico, apenas de carácter pedagógico e que sirva para eles valorizarem o dinheiro de forma diferente.
 
Na adolescência a questão já começa a ser um pouco diferente. Há também, como é óbvio, a vertente pedagógica da poupança, mas aí faz algum sentido trabalhar também a autonomização e responsabilização dos jovens, pois a adolescência é uma transição para a idade adulta e esses são processos que têm que ser desenvolvidos nesta idade. As solicitações na adolescência são muitas e é importante que os jovens saibam lidar com elas de forma sensata, equilibrada e que aprendam a fazer as suas escolhas de acordo com as circunstâncias de cada um.


Fonte: Hugo Rodrigues (pediatra) - http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2016
Recomendamos também a consulta do artigo do programa aqui.

Quase todas as crianças acabam por ter, em alguma fase da sua vida, uns "talinhos" ou "carocinhos" no pescoço.

Apesar de ser algo que assusta bastante os pais (com medo que se trate de uma leucemia ou outra doença grave), a maior parte das vezes não tem significado nenhum e é mesmo uma manifestação normal, que significa que o organismo está a funcionar como deve.

Todos nós (e as crianças também) temos no pescoço e em outros locais do corpo umas estruturas que se chamam gânglios linfáticos. Na verdade, são estruturas de defesa que servem apara ajudar a combater as infecções e que estão situados nos locais em que há mais probabilidade de virem a ser úteis. Um desses locais é o pescoço e é por isso que se notam sempre esses gânglios quando as crianças estão constipadas, com uma amigdalite, uma otite ou outras infecções do género. Significa que o organismo está a combater a infecção e, por esse motivo, é uma resposta considerada "normal".

No entanto, há algumas situações em que nem sempre é assim, pelo que convém conhecer quais os sinais de alarme, que implicam uma observação médica cuidada e atempada e que são os seguintes:

- gânglios com mais de 2cm de tamanho no pescoço ou mais de 1cm nas virilhas ou axilas

- gânglios muito duros (tipo "pedra) ou que estão aderentes à pele ou aos tecidos mais profundos

- gânglios que crescem muito rapidamente em pouco tempo

- gânglios palpáveis em mais do que uma das zonas habituas (pescoço, axilas e virilhas) ao mesmo tempo

- associação a emgrecimento, mal-estar geral, sangramento frequente das gengivas ou de outros locais, infecções de repetição ou cansaço fácil

Posto isto, volto a reforçar que a maioria das vezes os gânglios aumentam como resposta a doenças pouco graves e frequentes. No entanto, há algumas excepções, que geralmente se manifestam com os sinais de alarme que enumerei acima, pelo que é importante estar atento à sua presença.

Hugo Rodrigues (pediatra)  http://blogpediatriaparatodos.blogspot.pt/ - 2016