Linguagem - Alertas e Conselhos

Linguagem - Alertas e conselhos Práticos

Para a maioria das crianças, apreender a comunicar na língua materna é uma competência adquirida naturalmente de forma sequencial através da exposição a outros falantes.
O normal desenvolvimento da fala e da linguagem depende da capacidade da criança de ouvir, ver, compreender e lembrar. Igualmente importantes são as aptidões oro-motoras e as de sociabilidade e interação com os seus pares.
A aquisição de competências linguísticas ocorre desde o nascimento sendo usual a emissão de sons guturais entre os 2 e 4 meses e sílabas simples entre os 7 e 9 meses (dada; mama; tata); reconhecimento do próprio nome entre os 10 e 15 meses; produção de aproximadamente 50 palavras mas com compreensão mais de 200 palavras aos 18 meses; combinação de duas ou mais palavras entre os 18 e 24 meses; construção de frases simples e descrição das atividades da escola aos 3 anos.

CAUSAS
O atraso ou perturbação da linguagem são relativamente frequentes, afetando aproximadamente 8% de todas as crianças pré-escolares, sendo que os fatores genéticos desempenham um papel importante.
Entre as causas mais frequentes encontram-se o défice de audição, o atraso cognitivo, a prematuridade, défice neurológico específico, perturbações motoras da fala e fonológicas, privação social, perturbações emocionais e ambientais, o autismo e doenças do espetro do autismo.

SINAIS DE ALERTA
Os pais são quem melhor pode detetar problemas na fala ou linguagem; mas para isso têm de estar atentos aos sinais de alarme, que são os seguintes:

  • 1º ano de vida: falta de reação ao som e à voz humana; aos 8 meses não palra ou vocaliza monotonamente.
  • 12 meses: não aponta; não diz nenhuma palavra.
  • 18 meses: não reage ao nome; não percebe “mamã”, “papá”, “adeus” e “não”; não utiliza palavras com significado.
  • 2 anos: não identifica partes do corpo, pessoas familiares e objetos; não cumpre ordens verbais; não junta duas palavras.
  • 3 anos: omite ou troca sílabas; não faz frases simples; não faz perguntas; não usa o “eu”; não cumpre ordens verbais na íntegra; não tem interesse pelo outro e não interage.
  • 5 anos: Defeitos na articulação das palavras; faz frases com estrutura gramatical alterada; não descreve histórias ou atividades do dia-a-dia; foge ao tópico da conversa; dificuldades de evocação/nomeação.
  • Em qualquer idade, regressão das competências da linguagem previamente adquiridas.

Orientações 
Na presença de um destes sinais de alarme deverá falar com o médico assistente do seu filho, que se considerar indicado solicitará uma consulta de pediatria do desenvolvimento, avaliação audiológica, avaliação por terapia da fala e, eventualmente, psicologia.

Conselhos práticos
Durante o desenvolvimento normal da linguagem cante para o seu filho! As crianças adoram música e esta é uma excelente via de comunicação e de estimulação da linguagem.
Quando falar com o seu filho, seja em que idade for, dê-lhe tempo para ele pensar e responder e tente não o interromper.
Desligue a televisão e outras formas de ruído que sejam geradores de distração e que podem dificultar a comunicação.

BILINGUES
As crianças aprendem duas línguas com uma facilidade notável e quanto mais cedo melhor.
O multilinguismo está associado a um desempenho globalmente melhor na leitura e na escrita, melhor capacidade de análise, construção de frases e competências académicas.
É um mito que as crianças bilingues aprendem a falar mais tarde que as monolingues. O desenvolvimento da linguagem segue um padrão idêntico ao das outras crianças, no entanto, poderão demorar mais tempo a falar com fluência.
Em casa, se um ou os dois progenitores falarem com o filho numa língua diferente daquela que é usada na escola, devem fazê-lo sempre na mesma língua, para que a criança associe uma língua específica a uma pessoa de referência.
A televisão, os vídeos e os livros são excelentes formas de estimular a criança a aprender diversas línguas.
 

 

 
 

Fonte

Susana Moleiro (médica pediatra), 2013